21.11.09

no passado dia 23 de outubro, realizou-se na livraria ler devagar, sita no lx factory, em lisboa, o lançamento da revista inútil, da autoria de ana lacerda, maria quintans e joão concha. quero aqui agradecer o amável convite para participar com um poema sobre o tema da primeira edição (a ira), e a honra deste ter sido imprimido na primeira página de texto da revista. muito obrigada aos três por isso. agradeço também a júlio dolbeth a belíssima ilustração do meu poema. quando abri a revista, foi como se levasse um murro, mas dos bons. quero ainda agradecer o convite que me foi dirigido durante o evento para ler alguns poemas. foi um privilégio interpretar as palavras de outros autores. é muito bom poder estar entre eles e fazer parte deste projecto. bem hajam.

no primeiro dia de setembro, a minha avó morreu.

13.7.09



faz-me falta vir aqui. bem sei que estou a repetir-me. estas interrupções sucessivas d'a tradução da memória não são da minha vontade. estive ausente por motivos de trabalho, o que voltará a acontecer. não tenho portátil nem disponibilidade para aceder à net de outros locais. os dias passam como as pessoas que passam por nós e não voltamos a ver. nestes dias, não há nada digno de palavras. o meu corpo entra num automatismo com ignição. sou o que faço, cumpro uma função, não escrevo uma linha. estou em dívida com a maria quintans e o joão concha. as minhas desculpas por isso. as minhas desculpas aos 58 seguidores deste blog. que há-de regressar...*

23.6.09

convite


após uma ausência que se prolongou por mais tempo do que desejei, regresso com um convite que me enche de alegria. a minha querida amiga fátima fernandes (amita) publica pela edium editores o seu primeiro livro de poesia. a apresentação de transparência de ser realiza-se no próximo dia 10 de julho, pelas 21.30, no salão nobre da junta de freguesia de aldoar, no porto. pela transparência do ser e da amizade, aqui ficam os meus melhores votos de felicidades*

28.5.09


a poesia é a tradução de uma memória. por tradução entende-se o acto de explicar uma imagem, uma situação, ou alguém. por memória entende-se o conjunto de imagens, situações e pessoas. a poesia é uma imagem, uma situação, ou uma pessoa, traduzida em palavras. lida por todos ou por aqueles a quem fascina, a poesia não é escrita por muitos. descrever uma imagem, uma situação, ou uma pessoa, através da narrativa e de outros recursos linguísticos, está acessível à maioria de nós. assim, se quisermos descrever a fotografia acima, diremos que se trata de um quarto, ou de uma sala, embora a presença da cama nos incline mais para a primeira hipótese, mas nenhum de nós terá dificuldade em aceitar que se trata da divisão de uma casa. concordemos que se trata de um quarto e reformulemos: este quarto tem uma cama com um colchão, sem roupa. a janela está aberta e a cortina move-se ao ritmo do vento. a um canto do chão há uma planta e na parede um espelho onde se vê o reflexo de uma pessoa do sexo feminino. estes elementos são evidentes para quem vê esta fotografia. mas estes elementos, apresentados a quem não vê esta fotografia, têm o poder de se transformar noutra realidade. ou seja, se quisermos fazer um desenho de um quarto, com as características acima descritas, cada um de nós recriará no papel a imagem, a situação e a pessoa que o nosso cérebro emitir. a poesia é a recriação de uma realidade ou a projecção de uma ficção. através de palavras, fonemas e construções frásicas, o autor escreve o que pensa e sente e sobretudo o que quer fazer pensar e sentir. a narração não faz pensar ou sentir da mesma forma que a poesia pode fazer, porque a leitura da descrição de factos desperta quase automaticamente as imagens que os representam. embora a imagem de um quarto possa ser diferente para cada um de nós, é sem esforço algum que, ao lermos essa palavra, a compreendemos. por outro lado, a incompreensão que possa advir da leitura de um poema, não é a mesma que advém da leitura de uma narrativa. ao depararmo-nos com uma dúvida, por exemplo, na escrita ou no significado de uma palavra, podemos socorrer-nos de um dicionário ou de um prontuário ortográfico. mas, na poesia, satisfeitas todas as dúvidas de carácter linguístico, podem surgir outras de cariz literário. o entendimento de um poema dependerá da imagem, situação, ou pessoa, nele traduzidas. mais importante, contudo, e porque explicadas daquela maneira em particular, é o efeito sensorial que podem ter no leitor. é desejável que um poema desperte uma actividade neuronal que por outra via permaneceria intacta. a poesia é mais do que a descrição factual e o tamanho desse "mais" é o que o autor quiser. a tradução da memória regressa na segunda quinzena de junho. um abraço*